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Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum, 7 de Outubro

Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum, 7 de Outubro

03 outubro | Paroquial

Ser discípulo: o matrimônio segundo o Projeto de Deus

O tema de hoje é o matrimônio, porém, não sob o ângulo da casuística, mas sob o ângulo da vontade de Deus. Pois Jesus veio trazer presente o Reino de Deus, também quanto ao matrimônio: é preciso que seja restaurado no sentido que Deus mesmo lhe deu, desde o início. Este sentido se encontra descrito em Gn 2 (1ª leitura): preocupado com a felicidade de Adão, "o Homem", Deus lhe procura uma companhia, mas como entre os outros seres vivos não a encontra, faz a mulher, da "metade" do homem. Esta narração significa a complementaridade de homem e mulher, que se transforma numa unidade de vida ("uma só carne"), quando o homem opta por uma mulher e, por causa desta opção, deixa sua família de origem e a segurança que lhe oferecia. Pois casar é um risco e um compromisso.

Na história da humanidade e de Israel, a vontade inicial de Deus nem sempre se realizou, e tal deficiência não é curada pelo progresso ou pela evolução. Estamos hoje tão longe do ideal de Deus quanto as civilizações antigas. O problema é que o plano de Deus só se realiza no amor, e este ficará sempre igualmente difícil para a humanidade. Sempre houve muito desamor. Chefes de família patriarcal que achavam que precisavam de outra esposa. Casamentos interesseiros, que não deram certo. E muitas outras razões pelas quais os homens achavam legítimo despedir suas mulheres. Para pelo menos lhes dar uma proteção legal, a legislação deuteronomística previu que as mulheres repudiadas recebessem um certificado (Dt 24, 1). Os escribas, sabendo que Jesus não gostava da prática do divórcio (como antes dele Ml 2,14-16), quiseram experimentar se ele também rejeitava a Lei a respeito do certificado de divórcio (evangelho). A resposta de Jesus é astuta e adequada ao mesmo tempo. A legislação do divórcio é legislação feita para enfrentar a maldade humana (como a grande maioria das leis). Mas o plano de Deus a respeito do matrimônio se situa num outro nível, o da vontade de Deus, que é amor. Jesus não veio fazer casuística, ensinar qual é o mal menor. Ele veio trazer presente o Reino de Deus, o fim do mal. Para praticar o divórcio, a humanidade não precisa de uma palavra de Jesus, de uma mensagem de Deus. Já o faz por conta própria. Mas para voltar ao sonho de Deus referente ao amor humano, sim, precisa do evangelho.

(Na leitura completa do evangelho, segue agora um trecho sobre ser como crian­ças para receber o Reino de Deus. A mensagem reforça a anterior: para aceitar a vonta­de originária do Pai, é preciso ser simples e humilde.)

Começa hoje, na 2a leitura, uma seqüência da Carta aos Hebreus. A mensagem é um tanto difícil. Exige uma explicação especial, para colocar os ouvintes a par dos princípios da "cristologia sacerdotal" que marca esta carta. Para o autor de Hb, Jesus é sacerdote, "santificador", por excelência, por serem sua humanidade e despojamento os instrumentos pelos quais ele santifica toda a condição humana. Santificou-nos por sua fraternidade conosco.

Chamam nossa atenção as belas orações. Enquanto a oração do dia testemunha uma ilimitada confiança filial, a oração final condensa toda uma teologia eucarística: o sinal produz o que ele significa, a transformação do homem naquilo que ele recebe no sacramento: em Cristo mesmo.

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