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Liturgia do 11º do Domingo do Tempo Comum, 17 de Junho

Liturgia do 11º do Domingo do Tempo Comum, 17 de Junho

14 junho | Paroquial

O Reino de Deus em parábolas

O evangelho de hoje completa o "Sermão das Parábolas", lido, no texto de Mt, nos 15°, 16° e 17° domingos do ano A. Acrescenta as parábolas da semente que cresce por si (própria de Mc) e do grão de mostarda (cf. Mt e Lc). Em Mt, as parábolas formam uma espécie de catequese (Mt 13,51-52). Em Mc, integram a revelação velada do Filho do Homem (4,10-12 e 33-34). Quando Jesus fala em parábolas e o povo não entende, realiza-se plenamente o que já foi a missão de Isaías: falar a um povo sem compreensão (Is 6,9-10). Aos discípulos, porém, ensina em particular, iniciando-os no "mistério do Reino" (4,11; cf. 4,34). Este esquema de Mc se explica a partir de seu contexto histórico: pelos meados do século I d.C., a grande maioria do povo ainda não se convertera, mas uns poucos "iniciados" continuam a pregação do evangelho de Jesus, aqueles que, depois da Ressurreição, entenderam o "segredo messiânico": que Jesus foi o Filho do Homem padecente (cf. 24° dom.).

Jesus não pronunciou as parábolas para não ser entendido. Mc 4,33 aponta que Jesus procurou compreensão na medida em que o povo fosse capaz. O falar em parábolas é um meio didático que caracteriza Jesus de Nazaré. A parábola é linguagem figurativa, apresenta por uma imagem a realidade visada. Jesus mostra aos ouvintes o que acontece no seu dia-a-dia (na vida comercial, social, agreste etc.), para que eles conscientizem de que, de modo semelhante, está acontecendo o Reino no meio dele "É como quando um homem lança a semente no campo ... " (4,26). Pode-se considerar a parábola como um enigma apresentado de tal modo que a resposta logo aparece. Nós diríamos: "Qual é a semelhança entre o Reino de Deus e uma semente? É que ambos crescem por si mesmos, pois não se precisa puxar o caule para que o trigo cresça".

Jesus procura entrar em diálogo com a convicção íntima do homem. Para implantar no coração dos ouvintes uma sementinha de sua experiência de Deus, ele apela para a experiência deles, embora num outro terreno. No caso: para fazer com que os ouvintes se desliguem de sua ideologia de um Reino de Deus vindo ostensivamente com as forças celestes e implantando um "império davídico" para Israel, mediante o zelo dos "zelotes" ou dos cumpridores da Lei (fariseus), Jesus apela para uma experiência da vida campestre: a semente cresce sem intervenção humana. Aí, coloca uma pulga atrás da orelha dos ouvintes. Eles ficam refletindo e, aos poucos, se sentirão convidados a participar da misteriosa e única experiência do Reino de Deus que Jesus mesmo tem como "filho de Deus"; ou, então, recusarão. A parábola, em última análise, nos coloca diante da opção de repartir a experiência de Jesus ou não.

De modo análogo podemos entender a outra parábola, a do grão de mostarda. Esta desfaz uma ideologia de falso universalismo a respeito do Reino, mostrando que o universalismo não está na grandeza visível, numérica, mas na força de crescimento invisível como a que está no grão de mostarda. Embora não se veja quase nada, Jesus revela que o Reino está acontecendo, e bem este Reino universal que é sugerido pelo próprio termo de comparação, o arbusto frondoso no qual se aninham os pássaros do céu (como Ezequiel descreveu o futuro reino de Israel restaurado; cf. 1ª  leitura). "Qual é a semelhança entre o Reino de Deus e um grão de mostarda? Ambos parecem quase nada no começo e se tomam muito grandes no fim". Depois dessa, se pode optar: prefere-se um Reino de Deus que se anuncie com espalhafato, ou aquele que cresça organicamente a partir de uma pequena semente?

A 2ª leitura dificilmente se integra no tema principal, mas sua mensagem toca o coração. Enquanto estamos neste corpo, diz Paulo, estamos exilados do Senhor. Podemos suspeitar que Paulo, escrevendo a gregos, se lembrou da alegoria da caverna, de Platão ... ). Preferiria estar exilado do corpo, perto do Senhor (*). A liturgia de hoje oferece o apoio veterotestamentário desta idéia no canto da comunhão: Sl 27[26],4 e outros; por isso, seria muito adequado ler a 2ª leitura depois da comunhão.

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