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Liturgia do 10º Domingo do Tempo Comum, 10 de Junho

Liturgia do 10º Domingo do Tempo Comum, 10 de Junho

06 junho | Paroquial

Os verdadeiros irmãos e os adversários de Jesus

No evangelho de hoje, Mc apresenta a exigência da conversão, da opção pró ou contra Jesus. Tudo gira em redor da pergunta pela origem de seu "poder": virá do demônio (1ª leitura) ou de Deus?

Esta questão é tratada por Mc num "sanduíche" literário. As fatias externas (3,20-21.31-35) são a tentativa dos parentes de Jesus para desviá-lo de sua pregação messiânica, sob alegação de que ele "está fora de si", o que equivalia a dizer que ele estava possuído pelo demônio. Quanto à intervenção dos parentes, Jesus explica que sua verdadeira família não é a do sangue, mas a da fé operante: os que fazem a vontade do Pai (3,35). Ficamos chocados porque a mãe de Jesus está incluída entre os parentes. Mas isto acentua ainda mais a mensagem: a mãe de Jesus não tem prerrogativas por causa de seu parentesco carnal, mas por causa da fé (como Lc sugere numa duplicata do presente episódio: Lc 11,27-28).

A fatia central (3,22-30) é a acusação de que Jesus exorciza pelo poder de Beelzebul (6). A resposta de Jesus contém três elementos. 1) Quanto a seu "poder": este não vem do demônio, pois como poderiam o reino ou a casa do demônio ficarem em pé, se fossem divididos? Convite velado para entender que o poder de Jesus vem de Deus e é aquela misteriosa "autoridade" do Filho do Homem, que Mc já apontou na primeira atuação de Jesus (cf. 4º dom. T.C.). 2) Quanto à pessoa de Jesus, uma pequena parábola: se alguém quer arrombar uma casa (esta palavra a liga com a imagem anterior) deve primeiro amarrar o "forte" que está lá dentro. Portanto, aquele que consegue isso, é o "mais forte" título com o qual Jesus tinha sido anunciado pelo Batista (1,7) e imagem messiânica (cf. Is 49,24-25).3) Quanto aos escribas: eles se firmam no próprio pecado do demônio, o orgulho contra o Espírito de Deus. Mc (3,28-30) utiliza aqui uma palavra que aparece, provavelmente num contexto mais original, em Lc 12,10. Em Lc, significa que o que contraria o Filho do Homem (Jesus histórico) pode ser perdoado, mas não o que se faz contra o Espírito Santo, que auxilia os cristãos na perseguição (Lc 12,11-12; a apostasia). Em Mc, significa que tudo pode ser perdoado (por Jesus ou por Deus, cf. Mc 2,10.17), mas não o pecado contra o Espírito Santo, ou seja, a rejeição da força de Deus que se revela na atuação de Jesus, vencendo todo o mal.

A conclusão do conjunto (a segunda fatia do tema dos parentes), forma assim um contraste com a atitude dos escribas, a incredulidade levada a um extremo diabólico: unir-se a Jesus para fazer a vontade do Pai é pertencer à sua "casa", comunidade de irmãos e irmãs.

A 2ª leitura é a continuação da de domingo passado. Paulo reconhece em Sl 116[115],10 o Espírito da fé se expressando (é escrito sob inspiração do Espírito):

"Creio, por isso falo". Tendo este Espírito, Paulo fala: seu testemunho evangélico a respeito da Ressurreição de Cristo e nossa. Isso é o que o toma firme (2Cor 4, 16). Mesmo que agora estejamos na tribulação (vaso de barro!), este "pesar" é leve em comparação com o "peso" da glória ("glória", kabod, significa "peso"), pois nós enxergamos o que não se vê! A morada em que estamos (a existência neste mundo) será desfeita, mas teremos uma que não é feita com mãos humanas (termos que Cristo usou para anunciar sua ressurreição, cf. Me 14,58).

O espírito global da presente liturgia é o da força de Cristo, em que devemos confiar, para que ela se manifeste em nós também.

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